Guerra Civil, motivações, alívios e as benesses da coesão.

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Capitão América lidera a nova equipe dos Vingadores em seus esforços para manter a humanidade em segurança. Depois que outro incidente internacional envolvendo os Vingadores causa danos consideráveis, o aumento da pressão política resulta na implementação de um sistema de responsabilidade e um conselho governamental para determinar quando pedir ajudar da equipe. O ato divide as opiniões, originando duas facções. Uma se alia ao Capitão América, que busca defender a humanidade sem a interferência do governo. Já a segunda é liderada pelo Homem de Ferro, que decide apoiar as decisões do governo, dando início a uma batalha entre ex-aliados.

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Parafraseando um proeminente e controverso político tupiniquim, é possível que nunca antes na história deste mundo o Cinema tenha passado por uma fase tão efervescente e criticada como a atual, nessas décadas e décadas de existência. Muito disso se deve, quase com exclusividade, ao cineheroísmo (essa palavra não existe, né?) dos dias de hoje – e a Marvel, é claro, teve um papel central nisso tudo. Pode ser que isso sirva como um sinal: até o momento, pelo menos, deu certo.

Desde 2008 foram cerca de 13 filmes lançados pelo Universo Marvel nos cinemas e, entre tentativas e tentativas, acompanhamos os erros e acertos da produtora. Percorrendo a edificação do UCM¹, na fase 1, e seu desenvolvimento, na fase 2, já foram 3 filmes do Homem de Ferro (2008, 2010 e 2013), um filme do Hulk (2008), dois do Thor (2011 e 2013), dois do Capitão América (2011 e 2014) e um do Homem Formiga (2015), além, é claro, de Guardiões da Galáxia (2014) e dos dois longas dos Vingadores (2012 e 2015). E, bom… Vocês tão vendo, né!? Muita coisa já foi lançada e muito mais está por vir – para a alegria dos amantes do bom e velho cinema pipoca. A grande conquista da Marvel nos cinemas, deste modo, foi construir um universo inteligente e coeso o bastante para não deixar nenhuma de suas produções desassistidas. Mas, vamos lá, falemos de Capitão América: Guerra Civil.  

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Indo além do fato de fazer parte de todo um macro-cosmo, pouco seria desse filme, isoladamente, não fosse o seu enredo. O enredo do filme é de base eclosiva e crítica,² principalmente, e, mesmo sendo cheio de segmentos subtramáticos, ele não é aprofundado de forma atrapalhada – graças, aliás, a narrativa optada aqui, que foi bem mais refinada e arriscada que a dos trabalhos anteriores do UCM. E, além de um aspecto importante para o desenvolvimento do filme, isso deu um ar bem mais bacana pra coisa toda; foi uma ótima escolha dos Russo Brothers. Outro ponto que desempenha um papel ainda mais medular para tudo no filme, se encontra nas motivações (pessoais e oficiais) que dão base à toda história contada em Guerra Civil. Aqui, as motivações são factíveis, dentro do contexto, e facilmente externalizadas dele, principalmente, porque o roteiro fomenta (à quem olha com cuidado) um diálogo muito interessante sobre liberdades individuais controles artificiais – e as reais causas e consequências dessas duas questões (o que geraria longos parágrafos de conversa, mas é claro que eu não vou fazer isso), o que torna tudo bastante crível.

Além disso, temos as introduções acertadas e, sobretudo, pontuais dos novos personagens a comporem o universo dos Vingadores, saindo ainda mais do campo dos compartilhamentos virtuais, e que dão, sobretudo, mais corpo e volume ao Universo Marvel – ampliando ainda mais o potencial do mesmo. Entre os personagens introduzidos, os destaques ficam com o Pantera Negra e com o Homem-Aranha (e seu Peter Parker), que é definitivamente o melhor cabeça de teia dos cinemas – algumas alterações feitas em seu arco, individualmente, certamente incomodaram e incomodarão os fãs mais saudosistas, mas, em linhas gerais, temos um Homem-Aranha certeiro nas personalidades de suas personalidades (com o perdão do trocadilho). A grande questão aqui é o seguinte: tanto o Pantera Negra quanto o Homem-Aranha ficaram fodas pra car#@%&!

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Por outro lado, sofri com o fato de o filme parecer forçar a união de dois tons distintos numa grande massa-que-põe-força-pra-soar-homogênea-mas-não-consegue. Explico. O filme tenta arquitetar todo um tom geopolítico, dramático e crítico (e, como já pontuei, consegue fazê-lo de modo brilhante, sem atropelos que saltem aos olhos), mas o problema é que a UCM não pode fugir de sua cultura, daquilo que lhe é um hábito. — Mas, e daí, o que acontece? Acontece que o tom anteriormente estabelecido acaba sendo constantemente solapado por uma chuva de comic reliefs – completamente justificável e compreensível, mas malpropícia. Não que isso seja um grande problema, é claro, já que esse aspecto não compromete o andamento da trama, mas penso que, se houvesse um comedimento maior com o uso desses alívios, sem que eles saíssem esbarrando em momentos pouco convenientes, seria melhor. Me soa extremamente distante de qualquer possibilidade real que uma situação tão séria quanto a ocorrida ali viesse recheada de piadinhas de 5 em 5 minutos por parte dos envolvidos. 

TEM PIADINHA DEMAIS. MAS QUEM LIGA?

NO ENTANTO, perdoemos tais discrepâncias e façamos um bom uso de nosso suspensório descrente:³ deve ser levado em conta, aqui, a introdução de dois personagens cuja personalidade impele ao texto do filme o uso frequente de alívios cômicos (os Homens, Formiga e Aranha), o que fez com que Guerra Civil, sei lá, quadruplicasse o uso desses “apetrechos” roteirísticos – daí a compreensibilidade da salada entre os dois tons, mesmo apesar dos meus pesares. É provável que muito disso se deva, também, a experiência tida com Soldado Invernal (2014), onde o tom se obedecia religiosamente e não haviam entraves para a imersão em todo o contexto político criado pelo filme. Sobre esse ponto, em específico, aqui em Guerra Civil, digamos que eu fiquei meio que mais ou menos disappointed but not surprised. Espero que vocês compreendam.

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Capitão América: Guerra Civil é um filme que se dá muito bem por fazer parte de um universo coeso e cuidadoso, acima de tudo – salvo, aqui, o caso de existirem alguns descuidos os quais não me recordo no momento. Graças a isso, contudo, o filme me soou um tanto episódico. Não no que tange o enredo ou a narrativa do filme, mas sim por soar como mais um capítulo da grande novela dos super heróis da Marvel. E, aqui, isso anda longe de ser algo problemático. Guerra Civil, numa análise geral, se não foi o melhor filme de super heróis realizado pela Marvel até o presente momento, chega bem perto de sê-lo. Há, é claro, a possibilidade de que este ainda esteja aquém da qualidade de Soldado Invernal, no que diz respeito à coerência de seu tom – porém, muito dessa impressão vem de concepções pessoais, então, não a encaremos como fato; deixemos isso apenas flutuando como algo pertinente. O terceiro longa de Capitão América e seus habilidosos coleguinhas (já não tão coleguinhas assim) acerta na grande maioria das coisas a que se propõe, inaugurando mais do que bem a tão aguardada 3ª fase do Universo Marvel nos cinemas – que culminará, por fim (?), na segunda parte de Guerra Infinita, lá em 2019. Mas, relaxa, ainda tem muito filme daqui até lá.

Temos em Capitão América: Guerra Civil um ótimo trabalho dos irmãos Russo e companhia. De ver e rever o quanto der.


¹ UCM: significa Universo Cinematográfico Marvel, do inglês Marvel Cinematic 
  Universe (MCU).

² No sentido de que o enredo se desenvolve, a priori, pautado na eclosão das 
  consequências das atividades dos Vingadores ao redor do mundo e na 
  emergencialidade de uma solução para os problemas.

³ "Suspensão de Descrença", e tal... Sabe quando você escolhe acreditar que 
  certas premissas, eventos e outras coisas são verdadeiras, mesmo que estas 
  sejam falsas, fantásticas, impossíveis, contraditórias, etc? Pois é.
  Troca-se, assim, o julgamento crítico, baseado em fatos, pela aceitabili-
  dade do entretenimento como ele é.

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