A BABÁ: a desilusão amorosa que se olhou no splatter e a reascenção do Terrir.

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O filme acompanha Cole, um loser de primeira linha que está loucamente apaixonado por sua babá Bee. Ela é legal e incrível – todas as coisas que Cole não é. Certa noite, enquanto Bee está sendo sua babá, Cole testemunha o impensável, e ele passa a ter que sobreviver a uma noite cheia de primeiros beijos, primeiros corações partidos e primeiros encontros com maníacos homicidas!

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É Terror, mas faz rir. É Comédia, mas deixa apreensivo, tenso. Tem tudo de um, mas faz tudo do outro. Que tipo de bicho é esse, afinal de contas? Acompanhando um fatídico episódio na vida de um jovem de 12 anos de idade, A Babá aposta numa antiga, mas nunca desgastada, fórmula. Desembarcando justamente na Sexta-Feira 13, a produção da Netflix é uma divertida trama coming-of-age desencadeada por uma desilusão amorosa – com o diferencial de que, aqui, trocam-se os choramingos e dramalhões por sangue a se perder de vista e situações pra lá de pitorescas.

The Babysitter (2017)

Como todo filme do tipo, a promessa é sempre a mesma: unir Horror e Comédia do jeito que der, e o filme, felizmente obediente ao que pretende, obtém êxito na empreitada, entregando uma produção trabalhada no splatter (realizado à base de ótimos efeitos práticos) e no Humor Negro – que eventualmente brinca com algumas convenções (como é o caso do bonitão sarado que resolve ficar sem camisa sem a mais remota razão, ou do uso de jump scares avulsos). E brincar com características genéricas assim, a propósito, não é exatamente algo inusitado aqui, por duas razões: a primeira delas é que McG, o diretor, foi o responsável pela famosa franquia de As Panteras (2000-2003) e também pela comédia Guerra é Guerra (2012) (duas empreitadas que fazem a mesma coisa com a temática de espiões); ou seja: o diretor tem certo costume em fazer isso. A segunda razão é que o filme se trata de uma Comédia de Horror – mais conhecida como “Terrir”, aqui em Terras Tupiniquins, subgênero do Terror reconhecido por fazer piada com as características do gênero.

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A direção de McG faz o melhor que pode com o roteiro direto e enxuto de Brian Duffield, e ainda investe em interessantes artifícios narrativos e visuais, como é o caso dos letreiros que se lançam na tela em momentos-chave, sempre visando dar um aspecto mais cool a produção. A Babá, apesar de propositalmente livre de qualquer profundidade (embora tente aqui e ali estabelecer componentes emocionais), não deixa de agradar também em outros aspectos, como na trilha sonora e na vibrante fotografia de Shane Hurlbut.

Tudo isso concede a A Babá um lugarzinho entre as produções cinematográficas que, no decorrer da história – bem ou mal –, optaram por arrancar risos do Horror. Mas isso, é claro, não vem de hoje. A década de 80, salvo a existência de algumas produções do tipo em décadas anteriores, foi um marco para o Horror cinematográfico por muitas razões, mas uma das menos comentadas, com certeza, foi a sua fase contestadora de si e burlesca.

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Subgênero pouco usual no mercado, mesmo naquela época, o Terrir é demarcado por justapôr componentes de dois gêneros que são usualmente compreendidos como antagônicos: o Horror e a Comédia. Tudo a serviço de questionar as convenções do Terror que vinham sendo construídas durante aquele período. Contudo, o termo Terrir é uma exclusividade da língua portuguesa, não existindo em línguas estrangeiras; e nós devemos isso a um cineasta brasileiro: Ivan Cardoso, o mestre brasileiro do Terrir, conhecido principalmente pelas produções O Segredo da Múmia (1982) e As Sete Vampiras (1986).

Mesmo não tendo sido completamente esquecido em algum momento da história desde seu advento, a impressão que vem se consolidando é a de que o Terrir está voltando com tudo nos dias de hoje. Os últimos quatro anos, por exemplo, entregaram uma safra do gênero até que bem extensa. De imediato, lembro-me de, pelo menos, 10 títulos. Temos aí As Vozes (2014), The Editor (2014), Housebound (2014), o ótimo O que Fazemos nas Sombras (2014) – do diretor de Thor: Ragnarok –, Deathgasm (2015), Terror Nos Bastidores (2015), Bloodsucking Bastards (2015), Krampus: O Terror do Natal (2015), Cooties: A Epidemia (2015) e Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (2015) – do mesmo diretor de A Morte te Dá Parabéns –, além de outros filmes lançados em anos anteriores e que são obrigatórios aos fãs do gênero.¹

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Em linhas gerais, A Babá deve – ou deveria, pelo menos – agradar igualmente a fãs de Terror e Comédia. E talvez vá, sobretudo, à quem DEFINITIVAMENTE não está procurando por algo sério e só quer aproveitar algum tempo livre no Mês das Bruxas pra rirsentir-se tensoenojado – tudo ao mesmo tempo.


Por: Ericson Miguel.
Em: 14/10/2017.


[1]: Se essa mistura te agrada, e você não quer ir tão a fundo no histórico,
     então deve procurar pelos ótimos títulos Todo Mundo Quase Morto (2008),
     Tucker e Dale Contra o Mal (2010) e, claro, o incompreendido O Segredo
     da Cabana (2012).

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